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Teodoro, Camus e a Vá-Vá

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17.03.2026

O Professor Teodoro Ramalho passou debaixo da arcada da Vila Berta com pontualidade britânica. A bengala, de madeira rosewood, com castão derby, marcava a cadência. O sol ainda repousava nos “braços da aurora” — como diria Diniz Machado. O charuto deixava uma esteira disciplinada de fumo. Lisboa já fervia. No Tejo corriam cacilheiros.

Teodoro subiu a Penha de França, desceu cautelosamente a Calçada do Poço dos Mouros e atalhou diretamente em direção ao Mercado do Chile. Atravessada a Alameda, rumou lestamente para a Mexicana: uma bica e um nata. Teodoro cumprimenta com o chapéu a belíssima Igreja de São João de Deus na Praça de Londres. O seu objetivo era a Rua Flores do Lima, antiga morada do Cinema Quarteto. Era ali que ele deveria estar — cogitou Teodoro. Quando passou pelo FrutAlmeidas, Teodoro teve vontade dum pastelinho de massa tenra, mas resistiu e enfiando por entre os prédios do Bairro das Estacas desembocou na Flores do Lima. O cinema dera lugar a escritórios de coworking. Espaço arejado, filtrado pela luz solar. Cadeiras como cápsulas, cubículos coloridos... Meu........

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