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O professor Teodoro e o gato morto

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23.02.2026

O Professor Teodoro Ramalho ocupa sempre a mesma mesa lateral do Martinho da Arcada, não por superstição, mas por método. A argúcia requer parede nas costas. O chapéu repousa na cadeira vizinha como uma defesa silenciosa da forma; o charuto, aceso apenas depois do primeiro café, dá ao Professor uma calma editorial. Lá fora Lisboa respirava em pedra polida, pombos administrativos e turistas a fotografar o ar com a seriedade de funcionários do efémero. Lisboa transformara-se num manuscrito mal pontuado, onde a circulação substituíra o encontro.

O café era dominado por um homem que falava alto. O seu nome — repetido ao telemóvel com insistência litúrgica — era Rúben Felicíssimo. Todo um programa ideológico num nome. Rúben pertencia à classe dos optimistas técnicos: indivíduos que confundem energia com sentido. Não conversava; emitia relatórios. Prometia crescimento orgânico, expansão de marca, rentabilidade de recursos. O léxico........

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