Educação sem fronteiras: estudantes internacionais como oportunidade estratégica para Portugal
Por José João Mendes (Prof. Dr.), presidente da Direção da Egas Moniz School of Health & Science*
Portugal enfrenta hoje riscos significativos no ensino superior com o envelhecimento da população e a quebra demográfica a reduzirem a base de candidatos nacionais. A procura concentra-se, maioritariamente, em alguns cursos e regiões, deixando muitas instituições, sobretudo fora dos grandes centros, em situação crítica de ocupação e até de viabilidade.
Estudos recentes do EDUSTAT mostram que, apesar da expansão e massificação do ensino superior, a mobilidade estudantil continua fortemente condicionada por fatores socioeconómicos e territoriais, que influenciam o acesso, o sucesso académico e a distribuição regional do capital humano. A este contexto, soma-se ainda a pressão financeira e social para garantir qualidade pedagógica e científica.
Identificar estes riscos não é pessimismo: é prudência. Até porque o enfraquecimento ou encerramento de instituições significaria perda de milhares de empregos e a degradação do tecido económico e social de várias cidades. Muitas cidades médias, para as quais o ensino superior é um dos principais motores económicos e sociais, ressentir-se-iam de forma profunda.
É neste contexto que os estudantes internacionais assumem um papel decisivo. Em apenas uma década, o seu número em Portugal quase........
