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As migrações a César e a Deus o que é de Deus

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12.08.2026

A forma como os europeus reagem aos fluxos migratórios em expansão por todo o continente revela uma divisão cada vez mais inflamada das opiniões. Geralmente, encontramos de um lado uma população mais receosa, que manifesta as suas inquietações; do outro, os fervorosos entusiastas da imigração ilimitada; e, num registo mais apagado, aqueles que permanecem indiferentes, sem grande reacção.

A súbita entrada de dezenas de milhares de marroquinos em Ceuta, no final de Julho, foi uma situação atípica que confundiu um pouco essas linhas de divisão, já que as imagens da vertiginosa turba em território espanhol, em ritmo de arrastão, geraram um justificado alarme social. Os europeus estão mais habituados (e anestesiados) a lidar com a entrada gradual de estrangeiros em suaves prestações, logo, uma invasão tão gráfica e massiva veio atiçar os ânimos. O alarme foi tão inequívoco que os meios de comunicação viram-se obrigados a encetar esforços para fabricar uma leitura dos factos, tentar tranquilizar a opinião pública e converter uma questão política numa questão moral.

No fim de contas, é aí que a esquerda progressista tem sido mais hábil, ao arrastar todas as questões políticas para o domínio moral. Numa fase em que os progressistas deixam de ver a fronteira como uma instituição da soberania e passam a apresentá-la como uma barreira à solidariedade, foi fácil transformar a invasão de Ceuta numa “crise migratória” que exigia muita “empatia” pelos mais “vulneráveis”. Outra regra deste discurso é que os “vulneráveis” estão sempre fora da........

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