Só um minuto, por favor
Em janeiro de 1931, na revista Ilustração Portuguesa, Alfredo Marceneiro disse o seguinte sobre a gravação mecânica da música: “O meu maior desgosto em 1930 é um desgosto profissional… O gramofone veio industrializar o fado. Que vergonha! O fado não se deve nem se devia vender. Eu canto o fado como se rezasse. Mas veio o senhor Menano e a Maria Alice, começaram a ganhar dinheiro, e o fado tornou-se mercadoria. Que vergonha! Eu canto porque a minha alma mo ordena. E o que eu mais ambicionava para 1931 é que fossem proibidas as especulações que se fazem com a nossa linda canção. ‘É que eu sou um fadista trágico.’”
Repugnava a Marceneiro que houvesse repetição e esta retirasse o valor do efémero, da experiência única e irrepetível, transformando o canto em objecto monetizável, em mercadoria. Curiosamente, a possibilidade de gravação mecânica da........
