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Flávio Bolsonaro quer sequestrar a fé cristã no Brasil

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09.04.2026

Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro participa de cerimônias em igrejas e recebe orações públicas de líderes religiosos.

Artigo afirma que esses atos são movimento calculado de aproximação com segmentos de fé, não gesto espontâneo.

A prática contrasta com a laicidade do Estado prevista na Constituição brasileira, segundo o autor do texto.

O objetivo seria converter capital religioso em capital eleitoral, formando coalizão baseada em identidade religiosa.

A cena é conhecida, mas nem por isso menos preocupante: um pré-candidato à Presidência da República sobe ao púlpito de uma igreja, recebe orações públicas de líderes religiosos e inicia, a partir dali, uma agenda estratégica de aproximação com diferentes segmentos de fé. Não se trata de um gesto isolado ou espontâneo, mas de um movimento calculado, que revela uma tendência cada vez mais explícita na política brasileira: a instrumentalização da religião como ativo eleitoral.

Esse tipo de prática expõe uma tensão fundamental no Brasil contemporâneo. De um lado, um país cuja Constituição estabelece claramente a laicidade do Estado — ou seja, a separação entre instituições religiosas e o poder público. De outro, uma realidade política em que símbolos, discursos e espaços religiosos são mobilizados como ferramentas de campanha, muitas vezes de forma direta e deliberada.

É importante deixar claro: a liberdade religiosa é um direito fundamental. Líderes religiosos podem expressar suas opiniões, e cidadãos, inclusive políticos, têm o direito de professar sua fé. O........

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