Bolsonarista: Pare de brincar de ser evangélico
Há coisas que simplesmente não combinam. Água e óleo. Democracia e ditadura. Justiça e tortura. Evangelho e ódio. E, cada vez mais, é preciso dizer com todas as letras: não dá para brincar de ser evangélico.
Não se trata de exigir que todo cristão vote em determinado candidato. O Evangelho não é um programa partidário, e Jesus não deixou uma cédula eleitoral pronta para 2026. Mas, se alguém afirma que é discípulo de Jesus, sua fé deveria produzir algum tipo de consequência na maneira como enxerga o mundo, a política, os pobres, os trabalhadores, os estrangeiros, os presos, os doentes e aqueles que sofrem.
Por isso, há uma pergunta que precisa ser feita aos cristãos que pretendem votar em Flávio Bolsonaro e, mais do que isso, defendê-lo publicamente: em que momento o Evangelho passou a ser compatível com aquilo que ele representa politicamente?
Não! Não é uma pergunta retórica. É uma questão de coerência.
O cristão que conhece minimamente os Evangelhos sabe que Jesus colocou a verdade no centro de sua mensagem. E, no entanto, estamos diante de um candidato cuja trajetória política está marcada por declarações falsas, distorções e uma relação profundamente problemática com a verdade. E aqui aparece uma ironia que deveria constranger qualquer cristão: segundo o Evangelho de João, o diabo é chamado de “pai da mentira”.
Não estou dizendo que Flávio Bolsonaro seja o diabo. Seria uma caricatura. Estou dizendo algo muito mais simples: a mentira não pode ser uma virtude para quem diz seguir aquele que afirmou ser “o caminho, a verdade e a vida”. O problema fica ainda maior quando olhamos para os pobres. O Evangelho não é neutro diante da pobreza. Jesus nasceu entre os pobres, caminhou entre os excluídos e fez deles personagens centrais de sua mensagem. Não há como ler os Evangelhos honestamente sem perceber que a proteção dos vulneráveis, a solidariedade e a justiça ocupam um lugar central na pregação de Cristo.
Então, quando um projeto político promete retirar direitos, reduzir proteção social ou enfraquecer mecanismos que existem para proteger quem já está em........
