Opinião demais, pensamento de menos
Nunca circulou tanta informação entre tantas pessoas. O resultado está longe de ser uma humanidade mais lúcida. Informação em excesso também entorpece. Quando fatos, boatos, insultos, versões e opiniões ocupam a mesma tela, o cérebro começa a operar por atalhos. Escolhe o familiar, o emocional, aquilo que confirma o que já pensava. Nesse terreno, a ignorância deixou de representar simples falta de conhecimento e ganhou outra função: identidade pública.
Vivemos num ambiente que recompensa o pensamento rápido, ruidoso e simplificado. Quem hesita perde espaço. Quem pondera parece fraco. Quem admite não saber é atropelado por quem sabe quase nada, mas fala com a segurança de quem recebeu as tábuas da lei.
Pensar exige demora. Exige comparar, desconfiar, reler, reconhecer contradições, suportar a possibilidade de mudar de posição. As plataformas digitais trabalham na direção contrária. Premiam impacto imediato e transformam indignação em combustível. O conteúdo que irrita, assusta ou humilha circula com vantagem sobre aquele que exige atenção.
Formamos uma cultura em que reagir passou a valer mais que compreender. O sujeito lê uma manchete e já tem sentença. Vê quinze segundos de um vídeo e constrói uma biografia moral do personagem. Recebe uma frase recortada e a distribui como prova definitiva. A velocidade encurtou o debate e começou a comandá-lo.
A estupidez contemporânea raramente chega de cabeça baixa. Chega em caixa alta, sem constrangimento.
A autoridade intelectual também foi achatada. Décadas de estudo disputam espaço com palpites produzidos entre um café e uma rolagem de tela. A falsa equivalência agrada porque dispensa........
