Fome não é destino, é decisão — e a decisão mudou
O conceito de fome foi redefinido como consequência de decisões, e não como destino inevitável.
A mudança de perspectiva indica que políticas públicas podem reverter a insegurança alimentar.
O debate ganha destaque no contexto de esforços internacionais de combate à fome.
Imagine a cabine de um Boeing lotado — trezentas pessoas, tripulação e carga — no instante anterior à decolagem. Diante do piloto, doze instrumentos condensam tudo o que decide a vida de quem vai a bordo: o GPS com a rota, o radar meteorológico com as tempestades à frente, o indicador de combustível, o altímetro, o velocímetro, o horizonte artificial que revela se a aeronave está nivelada quando as nuvens engolem o chão, a bússola do rumo, o variômetro da subida e da descida, os sensores de temperatura e pressão dos motores, o alerta de proximidade do solo e o rádio com a torre. Uma luz vermelha nesse painel cala mil discursos. O bom piloto obedece aos instrumentos; a esperança de que esteja tudo bem não sustenta avião no ar.
Guardo essa imagem porque a economia de um país é exatamente isto: um voo coletivo, conduzido por pilotos que respondem por vidas que nem conhecem. Também tem o seu painel, também com doze mostradores. Vou percorrê-los da direita para a esquerda, com os números deste julho de 2026, e então farei o que todo bom comandante faz antes de agradecer a travessia: comparar este voo ao de 2022, aquele que por muito pouco não virou tragédia.
Começo pela rota e pela velocidade. A Selic, o juro interno, está em 14,25% ao ano — entre os mais altos do planeta —, o preço do dinheiro em casa, que segura a inflação e encarece o crédito. Lá fora, o Federal Reserve mantém o seu entre 3,5% e 3,75%: é o vento dominante, e quando o dinheiro rende nos Estados Unidos ele tende a sair daqui. O câmbio, velocímetro do voo, marca o dólar perto de R$ 5,15, estável, sinal de confiança do estrangeiro no destino brasileiro.
Nos motores, o PIB deve crescer cerca de 2% em 2026, segundo o Focus e a Fitch — altitude modesta, ascendente. O emprego é o mostrador mais quente: desemprego de 5,4%, o menor da série do IBGE, com mais de 102 milhões de ocupados. A Bolsa subiu 6,76% no semestre e o investimento estrangeiro direto........
