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Epstein, Washington e a verdade interrompida

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Era sábado, 10 de agosto de 2019, pouco depois das 6h30 da manhã, quando agentes penitenciários abriram a porta de uma cela no Centro Correcional Metropolitano de Manhattan (MCC), prisão federal de segurança máxima localizada na 125 Park Row, a poucos metros da Ponte do Brooklyn. Ali encontraram Jeffrey Epstein morto, pendurado por um lençol improvisado, preso ao beliche. Tinha 66 anos, aguardava julgamento por tráfico sexual de menores e estava sob custódia direta do Estado americano.

Epstein ocupava a ala 9 South, destinada a presos considerados sensíveis pelo sistema federal. O MCC abriga cerca de 760 detentos, entre acusados de terrorismo, líderes do crime organizado e delatores sob proteção. Não é uma prisão periférica nem improvisada. É uma unidade projetada para isolamento rigoroso, vigilância contínua e rondas frequentes. Epstein havia sobrevivido a uma tentativa de suicídio semanas antes. Ainda assim, naquela madrugada, estava sozinho. As rondas não foram cumpridas como previsto. As câmeras do corredor não produziram registros utilizáveis. Quando o corpo foi retirado, o problema já não era apenas a morte — era o fracasso do Estado em preservar o próprio processo judicial.

Naquele dia, o presidente dos Estados Unidos era Donald Trump. Epstein morreu sob custódia federal durante seu governo. Com isso, um julgamento que prometia expor décadas de crimes sexuais, acordos indulgentes e tolerância institucional foi interrompido de forma definitiva.

Epstein não........

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