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Quando o pai mata os filhos para punir a mãe: a violência que a sociedade autoriza

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17.02.2026

Artigo discute a violência vicária, onde homens matam os filhos para punir as mães, como um ato de poder enraizado em uma cultura misógina.

A reação social, que muitas vezes culpa a mulher e justifica o agressor, revela uma sociedade que relativiza o assassinato de crianças em casos de "vingança" masculina.

A misoginia digital, com a validação da violência contra mulheres em redes sociais, alimenta a violência real ao reduzir o custo simbólico da agressão.

Enfrentar essa violência exige responsabilização penal, regulação de plataformas digitais, educação para igualdade de gênero e o fim da culpabilização das vítimas.

Por que um homem mata os próprios filhos e, em seguida, se mata como forma de se vingar da mulher? A pergunta é brutal. A resposta também precisa ser.

Casos em que homens assassinam os filhos para atingir a mãe não são surtos inexplicáveis. Não são “tragédias familiares”. Não são eventos isolados. São atos de poder. São crimes que nascem de uma lógica social que ainda autoriza homens a tratarem mulheres e crianças como extensões de si mesmos. Quando essa posse simbólica é ameaçada — pela separação, pela autonomia feminina ou pela possibilidade de perda de controle — alguns homens transformam o corpo dos filhos em instrumento de vingança.

Esse tipo de crime não começa no momento do disparo. Ele começa muito antes, na construção cultural de uma masculinidade que se sente proprietária da mulher, da família e do destino de todos ao redor. O assassinato dos filhos para punir a mãe é a forma extrema de uma ideia profundamente enraizada: se não posso mais controlar você, destruo aquilo que você ama. É o patriarcado levado ao seu grau máximo de violência. Esse fenômeno tem nome: violência vicária. Trata-se da violência praticada contra filhos, filhas ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente a mulher. O assassinato de crianças é sua forma mais extrema, mas não a única. A violência vicária se instala muito antes do ato fatal e se perpetua no cotidiano de milhares de mulheres que veem seus filhos serem usados como instrumento de controle, punição e vingança.

O que torna esse fenômeno ainda mais perturbador não é apenas o crime em........

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