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“A Turma”: Grupo de Vorcaro sinaliza quem vazou informações para a mídia liberal atacar Ailton de Aquino, do BC

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04.03.2026

Ailton de Aquino, primeiro negro a ocupar direção no Banco Central e funcionário desde 1998, foi alvo de vazamentos e ataques da mídia liberal após a prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação do Banco Master em novembro.

Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, foi citado em decisão judicial como participante do grupo "A Turma" e recebia remuneração de Vorcaro por "consultoria estratégica" sobre o Banco Master.

A Polícia Federal cumpriria mandados contra Belline e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, que estavam afastados desde janeiro por decisão do presidente Gabriel Galípolo.

A reunião entre Vorcaro e Aquino em 17 de novembro, que motivou suspeitas na mídia, estava previamente agendada, contou com presença do chefe do DESUP e foi registrada formalmente no Banco Central.

Funcionário de carreira desde 1998 e primeiro negro a ocupar uma cadeira na direção do Banco Central, Ailton de Aquino Santos foi alvo de um levante da mídia liberal após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro, e a liquidação do Banco Master, um dia depois, pelo Banco Central.

Em meio a uma série de vazamentos seletivos, a jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, chegou a publicar que “Aquino, que não é formalmente investigado no caso Master, era visto no BC e por agentes do mercado financeiro como um aliado do banco de Vorcaro”, mesmo com o diretor de Fiscalização do BC tendo votado pela liquidação da instituição – aprovada de forma unânime pela instituição.

Colega de Lauro Jardim, que foi ameaçado por Vorcaro nas conversas do grupo de WhatsApp “A Turma” divulgadas na decisão que levou o dono do Master de volta à cadeia, a jornalista ainda levantou suspeitas sobre uma reunião de Aquino com o banqueiro em 17 de novembro, horas antes dele ser preso ao tentar embarcar em um jatinho no aeroporto de Guarulhos rumo a Malta, de onde partiria para Dubai.

“Acareação: Vorcaro se reuniu com diretor do BC no dia em que foi preso”, diz a chamada do artigo sobre a reunião que já estava marcada, teve a presença do chefe do departamento de supervisão bancária do BC, Belline Santana, e conta com registro no próprio Banco Central.

“A reunião virtual durou 40 minutos e nela, conforme um documento do próprio banco que acabou sendo usado pela defesa do executivo para livrá-lo da cadeia, Vorcaro informou das negociações em curso ‘na busca de uma solução de mercado para o Conglomerado Master’”, insinua.

Personagem até então obscuro no caso Master, o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP) do Banco Central Belline Santana, é citado na decisão de Moraes como um dos participantes do grupo “A Turma”, que teria recebido dinheiro do banqueiro para prestar “consultoria estratégica ao investigado, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Banco Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco Master perante o Banco Central”.

“Também foi constatado que BELLINE SANTANA participou de reuniões privadas com DANIEL BUENO VORCARO, inclusive fora das dependências institucionais do Banco Central, nas quais foram discutidos temas estratégicos relativos à atuação e ao posicionamento do Banco Master perante a autoridade reguladora”, diz a decisão de Mendonça.

Segundo o documento, que determinou a prisão de Vorcaro e Fabiano Zettel, que “operacionalizava” o grupo, mesmo com cargo no Banco Central, Belline “revisava documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master” e “participava de discussões relativas a estratégias adotadas pelo banco Master perante o órgão regulador”.

“As investigações também apontam que BELLINE SANTANA demonstrava acompanhamento próximo de decisões administrativas e movimentações institucionais envolvendo o Banco Master, mantendo o controlador do Banco Master informado sobre temas relevantes relacionados à atuação da supervisão bancária”, diz.

Ou seja, o funcionário do BC atuava como uma espécie de consultor estratégico de comunicação para repassar a narrativa decidida diretamente com Vorcaro e “pelos serviços prestados à estrutura criminosa, BELLINE recebia uma remuneração”.

Disputa no Banco Central

Na estrutura do Banco central, Belline foi subordinado a Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandou a diretoria de Fiscalização entre 2019 e 2023, durante a presidência do bolsonarista Roberto Campos Neto.

Foi Souza quem oficializou no Banco Central, em outubro de 2019, a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, que o transformou em Banco Master

Alvos da operação da Polícia Federal nesta quarta-feira, Belline e Souza já haviam sido afastados de suas funções em janeiro por decisão administrativa do atual presidente, Gabriel Galípolo, em meio aos avanços das investigações sobre o Caso Master.

Ambos se tornaram alvos de uma investigação interna justamente pela conduta interna em relação ao Master. Segundo a PF, Souza também prestava consultoria informal ao banqueiro e “participava de grupo de mensagens com DANIEL VORCARO e BELLINE SANTANA, criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos e permitir a discussão de estratégias relativas a temas de interesse do Banco Master”.

Ainda durante a gestão de Campos Neto no BC, Belline Santana trabalhava internamente para ser o sucessor de Neves no comando da Diretoria de Fiscalização, órgão responsável justamente por avaliar os movimentos na Faria Lima e decidir pela abertura de investigações sobre transações suspeitas.

A disputa se deu justamente com Ailton de Aquino, nome do governo Lula para assumir o cargo, que tem mandato de quatro anos, com possibilidade de uma recondução por igual período.

Voltando aos vazamentos seletivos para atacar Aquino, Santana também estava na reunião com Vorcaro horas antes do banqueiro tentar empreender fuga e ser preso no fatídico 17 de novembro de 2025.

Diferentemente do que aconteceu com Aquino, no entanto, Belline Santana não foi alvo de campanha seletiva da mídia liberal e tampouco acusado de favorecer Daniel Vorcaro, de quem “recebia uma remuneração” pelos “serviços prestados à estrutura criminosa”.


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