Noam Chomsky, Michel Foucault e uma noite de haxixe após histórico debate de 1971
Livro "Foucault na Califórnia" (2024), de Simeon Wade, revela que Michel Foucault fumou haxixe fornecido por Noam Chomsky após debate em Amsterdã em 1971.
Foucault relatou a Wade e seu companheiro, Michael Stoneman, que recebeu haxixe como pagamento por participação em programa de TV com Chomsky.
O debate entre Foucault e Chomsky, ocorrido em Amsterdã, é considerado histórico e está disponível online.
Em 1975, o filósofo francês Michel Foucault era professor visitante da Universidade da Califórnia e, após o término de uma palestra em Berkeley, foi abordado por Simeon Wade, então professor da Claremont Graduate School (hoje Claremont Graduate University), que o convidou para dar uma conferência para seus estudantes e conhecer o Vale da Morte (Death Valley). Alguns dias depois, Foucault aceitou o convite.
No primeiro dia na casa de Simeon Wade e de seu namorado Michael Stoneman, que era pianista, eles iniciaram uma conversa regada a drinks quando, de repente, Stoneman perguntou se poderiam fumar maconha:
“Você se importa se fumarmos maconha? Um dos alunos de Simeon nos deu um pouco, se você quiser.”
“Sim, eu topo um baseado”, concordou Foucault.
“Você fuma maconha?”, perguntei (Wade).
“Tenho fumado há muitos anos, principalmente quando morei no Norte da África, onde eles têm um haxixe maravilhoso.”
“E você fuma em Paris?”, persisti (Wade).
Foucault, então, relatou o momento inusitado com o linguista Noam Chomsky:
“É difícil achar erva em Paris, mas fumo haxixe sempre que consigo um pouco. Nós estávamos com um bom estoque recentemente, graças a Noam Chomsky.”
“Como isso aconteceu?”
“Eu apareci num programa de TV em Amsterdã junto com Chomsky, e depois os patrocinadores me perguntaram que tipo de pagamento eu queria receber. Eu disse que queria um pouco de haxixe, e eles concordaram com o pedido e me deram uma boa quantidade da coisa. Eu e meus alunos brincamos que é o haxixe do Chomsky, não por ele ter alguma coisa a ver com isso, mas porque foi ele o causador de tudo.”
“Eu apareci num programa de TV em Amsterdã junto com Chomsky, e depois os patrocinadores me perguntaram que tipo de pagamento eu queria receber. Eu disse que queria um pouco de haxixe, e eles concordaram com o pedido e me deram uma boa quantidade da coisa. Eu e meus alunos brincamos que é o haxixe do Chomsky, não por ele ter alguma coisa a ver com isso, mas porque foi ele o causador de tudo.”
“Qual foi a sua impressão de Chomsky?”, questionei (Wade).
“Ele é um homem muito agradável. Não tivemos muito tempo para conversar. E o moderador fez uma coisa muito estúpida. Ele queria que nós tivéssemos uma discussão, então descreveu Chomsky como esquerdista estadunidense, até como anarquista, e eu como marxista. Um absurdo. Eu não sou marxista, e esses rótulos são ridículos, particularmente aplicados a Chomsky e a mim. Mas, enfim, nosso debate foi bem prazeroso.”
“Ele é um homem muito agradável. Não tivemos muito tempo para conversar. E o moderador fez uma coisa muito estúpida. Ele queria que nós tivéssemos uma discussão, então descreveu Chomsky como esquerdista estadunidense, até como anarquista, e eu como marxista. Um absurdo. Eu não sou marxista, e esses rótulos são ridículos, particularmente aplicados a Chomsky e a mim. Mas, enfim, nosso debate foi bem prazeroso.”
O relato acima faz parte do livro “Foucault na Califórnia” (2024), escrito por Simeon Wade, que registrou em forma de diário as memórias de quando Foucault esteve com ele e seu companheiro e tomou LSD no Vale da Morte (Death Valley). No Brasil, a obra foi publicada pela Editora Elefante.
O debate em que Foucault dialogou com Chomsky é cultuado até hoje e pode ser conferido abaixo:
