Trump e a política do caos: da hegemonia ao porrete
O retorno de Donald Trump à Casa Branca não inaugura uma nova política externa — escancara o colapso da antiga. A diplomacia cede lugar à ameaça, o multilateralismo é substituído por sanções e o caos passa a operar como método deliberado de poder. Longe de ser improviso ou descontrole, o trumpismo expressa um imperialismo que já não consegue liderar o mundo e passa a governá-lo pela intimidação.
Donald Trump não governa pela ordem. Governa pelo medo. Não constrói consensos, não organiza alianças, não lidera o sistema internacional. Ele ameaça, sanciona, chantageia, humilha e desestabiliza. O que muitos insistem em chamar de “imprevisibilidade” não é erro de percurso — é estratégia. Trata-se do imperialismo quando já não consegue oferecer futuro, apenas impor obediência.
Trump não é um acidente histórico nem um desvio da política internacional. Ele é o sintoma mais explícito de um sistema em esgotamento. Quando a promessa liberal deixa de funcionar — crescimento, prosperidade compartilhada, estabilidade — o poder abandona a encenação institucional. Cai a máscara. Fica o porrete.
O trumpismo emerge num momento paradoxal: os Estados Unidos seguem sendo a principal potência militar e financeira do planeta, mas já não conseguem organizar o sistema internacional. Mandam, mas não convencem. Impõem, mas não lideram. A hegemonia deixa de ser consenso e se converte em coerção aberta.
O caos, portanto, não é consequência. É política.
Do império que organizava ao império que ameaça
Durante décadas, o imperialismo norte-americano combinou força material com legitimidade política. Instituições multilaterais, tratados internacionais, organismos financeiros e o discurso da democracia liberal funcionavam como instrumentos de........
