O filme, o banco e a implosão do bolsonarismo
Jair Bolsonaro está preso e condenado, e o bolsonarismo tenta transferir o capital político da família para o filho Flávio Bolsonaro.
Vazamentos revelaram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorco para financiar o filme “Dark Horse”, que visa transformar Jair Bolsonaro em ícone da extrema‑direita.
A Reuters informou que aliados de Flávio entraram em pânico com os vazamentos, enquanto setores do PL consideram sua condução da crise desastrosa.
A Polícia Federal investiga o Banco Master, ligando Vorco a aportes bilionários do BRB, R$ 400 mi da previdência do Amapá e operações com governadores e o Centrão; vídeo divulgado em 15 de maio resumiu o escândalo.
Até poucas semanas atrás, a extrema direita brasileira acreditava ter resolvido o problema da sucessão presidencial de 2026.
Com Jair Bolsonaro preso e condenado, o bolsonarismo apostava na transferência do capital político da família para um dos filhos do ex-presidente. O favorito era Flávio Bolsonaro.
As pesquisas mostravam empate técnico com Lula em vários cenários. O PL tratava sua candidatura como prioridade estratégica. Parte do mercado financeiro passou a enxergá-lo como o nome “menos tóxico” do clã Bolsonaro. E a máquina digital bolsonarista já operava em ritmo eleitoral.
Então veio Daniel Vorcaro.
O banqueiro do Banco Master — preso e investigado em múltiplas frentes — atravessou o coração do projeto eleitoral bolsonarista e abriu uma crise que já não é apenas policial ou financeira.
O caso começou a produzir efeitos eleitorais concretos, imediatos e potencialmente devastadores.
O que parecia um escândalo periférico transformou-se numa pergunta central da política brasileira:
A direita continuará insistindo num candidato da família Bolsonaro?
O filme, os áudios e as contradições
A crise explodiu quando vieram à tona mensagens, áudios e relatos envolvendo negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção destinada a transformar Jair Bolsonaro em personagem épico da extrema direita internacional.
O projeto teria participação do ator Jim Caviezel — conhecido por “A Paixão de Cristo” — e fazia parte de uma tentativa mais ampla de reconstrução internacional da imagem do bolsonarismo após o fracasso do governo Jair Bolsonaro — cumprindo pena de 27 anos e três meses de prisão — e do golpe de 8 de janeiro de 2023.
O problema........
