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O Evangelho do golpe, da tortura e do entreguismo

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19.04.2026

Eleição presidencial de 2026 no Brasil confronta dois projetos: o progressista de Lula e o de extrema‑direita liderado por Flávio Bolsonaro.

Lula busca a reeleição defendendo a democracia, a proteção social e a centralidade dos pobres.

Flávio Bolsonaro representa a reorganização do bolsonarismo, unindo ultraconservadorismo moral, autoritarismo de mercado e fundamentalismo religioso.

O embate reflete décadas de mudança no eixo religioso‑populista brasileiro, da Teologia da Libertação à pedagogia da prosperidade individual.

A eleição de 2026 não opõe apenas candidaturas. Ela confronta dois projetos de país: o de Lula, que recoloca os pobres e os direitos sociais no centro da política, e o da extrema direita bolsonarista, que funde mercado, autoritarismo e fundamentalismo religioso numa máquina de poder que vai dos púlpitos ao Congresso Nacional. 

A eleição presidencial de outubro de 2026 será mais do que uma disputa entre nomes. O Brasil está diante de um confronto entre dois projetos históricos e antagônicos. De um lado, Lula, que representa a reeleição de um campo progressista comprometido com a democracia, a proteção social e a centralidade dos mais pobres na vida nacional.  

De outro, o bolsonarismo, agora reorganizado em torno de Flávio Bolsonaro, herdeiro político de um movimento que combina ultraconservadorismo moral, fanatismo de mercado e agressividade antidemocrática. 

Essa disputa não surgiu de repente. Foi preparada durante décadas, num lento deslocamento do eixo religioso-popular do Brasil. O país que conheceu a força das Comunidades Eclesiais de Base, da Teologia da Libertação e da opção preferencial pelos pobres foi sendo transformado por outra pedagogia: a da prosperidade individual, da guerra espiritual, do empreendedorismo de si mesmo e da demonização das pautas progressistas. 

Quando a fé dos pobres assustou o poder 

Nos anos 1960 e 1970, a Teologia da Libertação se tornou uma força real na América Latina. Sua potência vinha justamente daquilo que hoje ainda assusta as elites: a capacidade de ligar fé, consciência social, leitura crítica da realidade e organização popular. A religião, nesse contexto, deixava de ser consolo passivo e passava a funcionar como fermento de transformação histórica. 

Foi isso que alarmou os centros de poder. Em plena Guerra Fria, a emergência de um cristianismo comprometido com a justiça social e a emancipação popular passou a ser vista como um problema estratégico. Não era apenas uma divergência doutrinária.........

© Revista Fórum