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“O Brasil foi roubado”

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24.08.2026

Fernando Cerimedo, argentino, está preso preventivamente na Bolívia desde 18 de agosto, acusado de ser autor intelectual da tentativa de feminicídio de sua ex‑companheira Nadia Beller.

Em 24 de agosto, Jamil Chade e Cleber Lourenço alertaram que integrantes do Palácio do Planalto temem uma campanha internacional de desinformação que atravessa Brasil, Argentina, Honduras, EUA e Israel.

A investigação aponta ligação de Cerimedo a Eduardo Bolsonaro e a operadores do trumpismo, cujo material circulou entre militares, o “Gabinete do Ódio” e apoiadores de Jair Bolsonaro, alimentando a contestação eleitoral do PL.

Brad Parscale, responsável pela operação digital das campanhas de Donald Trump, retomou atividades no ecossistema trumpista por meio da plataforma Campaign Nucleus, que usa inteligência artificial para gestão política.

A prisão preventiva do argentino Fernando Cerimedo, determinada pela Justiça boliviana, não interessa apenas à investigação da tentativa de feminicídio de sua ex-companheira, Nadia Beller, atingida por três tiros. Interessa também à eleição presidencial brasileira. 

Na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, Jamil Chade e Cleber Lourenço revelaram no ICL Notícias que integrantes do Palácio do Planalto temem uma ofensiva internacional de desinformação destinada a interferir na reta final da disputa presidencial. A preocupação está voltada para uma rede que atravessa Brasil, Argentina, Honduras, Estados Unidos e Israel — e na qual Fernando Cerimedo aparece ligado a Eduardo Bolsonaro e a operadores do trumpismo. 

O temor do governo olha para o que pode acontecer nas próximas semanas. Mas, para compreender o risco, é preciso voltar ao que já aconteceu. 

Em 2022, Cerimedo espalhou a mentira de que a eleição havia sido roubada. Seu material circulou entre militares, integrantes do Gabinete do Ódio e auxiliares de Jair Bolsonaro, alcançou milhões de brasileiros e ajudou a embasar a contestação eleitoral apresentada pelo PL. 

Agora, celulares, computadores, documentos, equipamentos de comunicação e registros financeiros ligados ao argentino estão nas mãos das autoridades bolivianas. Talvez nada revelem. Mas poderão ajudar a esclarecer quem financiou, abasteceu e orientou suas operações políticas em diferentes países. 

O Intercept Brasil definiu Fernando Cerimedo como o “Steve Bannon latino”. A comparação é reveladora. Como Bannon, ele não atua apenas como marqueteiro eleitoral: organiza a guerra cultural, constrói redes transnacionais e transforma a desinformação em instrumento de poder. Mas acrescentou a essa função a infraestrutura tecnológica de outro personagem decisivo do trumpismo: Brad Parscale. 

Responsável pela operação digital da campanha de Donald Trump em 2016 e gerente da campanha de reeleição em 2020, Parscale voltou ao ecossistema trumpista com a Campaign Nucleus, plataforma que integra dados, comunicação e gerenciamento político, e outras tecnologias........

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