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A estratégia do Irã que põe em alerta os aliados dos EUA no Oriente Médio

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05.03.2026

Pelo menos 1.230 mortos, incluindo 175 alunas e funcionários, em ataque a escola no Irã; conflito já atinge 12 nações

Irã respondeu bombardeando bases militares dos EUA no Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos

Horas antes do ataque, Irã negociava acordo nuclear com EUA mediado por Omã e havia aceito inspeções da AIEA

Pesquisadora aponta que guerra envolve interesses do complexo industrial-militar e expansão israelense; monarquias árabes questionam aliança com Washington

Teerã sentou-se à mesa de negociações com o governo Trump, de fato. Mas seria ingenuidade acreditar que o ataque dos Estados Unidos e Israel foi totalmente surpresa. Não somente devido aos bombardeios de Telaviv ano passado a instalações nucleares, militares e residências de lideranças, com a Operação Leão em Ascensão, e os protestos nas ruas do país, estimulados por Washington. Afinal, se há uma palavra que cai como uma luva ao Irã, é resiliência. “Há certos elementos da própria natureza do regime iraniano que fazem com que ele tenha sido criado e desenvolvido, desde a Revolução de 1979, para sobreviver a esses diversos ataques externos, inclusive se protegendo internamente para evitar instabilidades e cisão de elites.”, aponta Isabela Agostinelli, professora de Relações Internacionais na Fecap, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre Estados Unidos (INCT-INEU) e do Grupo de Estudos sobre Conflitos Internacionais (GECI) da PUC-SP.

Até esta quinta, ao menos 1.230 pessoas morreram, incluindo 175 alunas e funcionários em um ataque com mísseis a uma escola na cidade iraniana de Minab, no sábado (28). O conflito se estende para outros países: doze o nações que já registraram algum tipo de ataque relacionado à ofensiva militar empreendida inicialmente pelos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Não há sinais de arrefecimento de nenhuma das partes, tampouco perspectiva de conversas acerca de um eventual cessar-fogo.

É complexo compreender o que se passa pela cabeça de Trump ao negar descaradamente seu projeto de Make America Great Again (MAGA), que apregoava que guerras somente trariam volumosos gastos públicos desnecessários e morte de estadunidenses. Mas, como lembra a pesquisadora, Israel tem grande influência na política doméstica dos Estados Unidos. Ela também esboça os possíveis motivos para a ofensiva militar contra o país persa. “As aspirações dos Estados Unidos e de Israel criam uma ordem regional que leva em consideração a lucratividade do chamado complexo industrial-militar, os interesses imobiliários estadunidenses e o interesse israelense de expandir suas fronteiras nesse neocolonialismo que começou na Palestina, mas que não vai acabar ali”, analisa Agostinelli.

A guerra fustigada pela Casa Branca, embora mais contundente que as últimas contra Teerã, não será um passeio pelo Oriente Médio, como já observamos. Ao contrário da Venezuela, recentemente atacada e com seus recursos petroleiros sitiados, o Irã tem significativo poder de fogo. Por isso, é crucial analisar como Teerã age diante de duas potências tão belicosas. Como tenta resistir e contra-atacar.

Entre suas estratégias, diz a pesquisadora, está concentrar seus esforços nas monarquias árabes do Golfo. Bombardeou bases militares norte-americanas no Bahrein, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. Houve respostas, obviamente. Mas vários países do Oriente Médio, apesar de enxergarem o Irã como ameaça ao bloco, começam a entender que este apoio irrestrito aos Estados Unidos, sob a promessa de proteção, não é mais um bom negócio. Além disso, temem uma Primavera Árabe, pois seus povos veem Israel como grande ameaça à segurança da região. “Existe ainda uma dimensão econômica no cálculo estratégico iraniano: atingir os fluxos de comércio e de pessoas, a logística que sustenta as monarquias do Golfo, grandes pontos de passagem entre o Ocidente e o Extremo Oriente”, diz ela.

Nesta entrevista, Isabela Agostinelli analisa a sabotagem às negociações com o Irã, a conexão da guerra com a Questão Palestina, o pânico moral propagandeado pelas mídias ocidentais para justificar a guerra e o papel geopolítico da Rússia e China no Oriente Médio. Confira os principais trechos da conversa.

O timing dos ataques ao Irã

Ainda não conseguimos identificar a racionalidade central por trás dessa ação militar dos Estados Unidos e Israel, que foi uma agressão apesar de ter sido qualificada como guerra preventiva ou ataque preventivo. Trump e Netanyahu sempre justificam os seus bombardeios no Irã com base na necessidade de mudança de regime, mas o Irã já mostrou que é um Estado muito forte no sentido da sua organização........

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