menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Lulinha não existe

2 0
sunday

Jornais e telejornais chamam Fábio Luís, filho do presidente Lula, de “Lulinha”.

O candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, costuma ser citado apenas pelo prenome nos noticiários.

Analistas apontam que a omissão do sobrenome busca distanciar o candidato da família Bolsonaro, cujas rejeição supera 63 %.

A diferença de tratamento é vista como sintoma de parcialidade ou estratégia de neutralidade na imprensa.

O debate sobre o peso das palavras no jornalismo político não é novo, mas ganhou contornos nítidos na cobertura do processo eleitoral desse ano. Observa-se, de um lado, a insistência dos jornais e telejornais em chamar o filho do presidente Lula, Fábio Luís, pela alcunha “Lulinha”. De outro, uma suavização onomástica que reduz Flávio Bolsonaro ao prenome, como se o sobrenome, sem o qual ele não existiria, fosse um estorvo a ser evitado ou mesmo uma informação dispensável. Aparentemente são escolhas editoriais distintas, mas um olhar atento revela um denominador comum. A linguagem jornalística não é mero veículo de informações; é campo de batalha onde poder, reputação e realidade são disputados. A discussão sobre “Lulinha” versus “Flávio” não é questão de etiqueta ou semântica, mas o sintoma de um mal mais profundo, a dificuldade da imprensa em nomear com precisão, a serviço de uma pretensa neutralidade ou, em alguns casos, de uma parcialidade mal dissimulada.

O nome do candidato do PL à presidência é Flávio Bolsonaro. Eleito muitas vezes com o nome completo, no dia a dia dos telejornais e do jornalismo oficial, o filho de Jair é chamado apenas pelo prenome nas manchetes. A justificativa técnica é a limitação........

© Revista Fórum