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A ignorância, os insultos, as contradições, a linguagem e a vulgaridade assumidas por Donald Trump a partir da Casa Branca, parecem uma história de banda desenhada; daquelas de mau gosto que retratam uma ficção, só ao alcance de uma infatigável imaginação.
É triste ver um presidente de um país como os Estados Unidos descer abaixo dos padrões mínimos de comportamento, para convencer o regime iraniano, que não é flor que se cheire, a reabrir o estreito de Ormuz e a prescindir dos seus projetos nucleares.
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Não está em causa o reconhecido carácter criminoso do regime de Teerão. Nem o papel do Irão no financiamento e proteção aos grupos terroristas que sonham com a destruição do Estado de Israel. Nem, muito menos, o direito de Israel se defender de ataques exteriores de vizinhos que não o suportam e que gostariam de erradicar o povo judeu.
O mundo está infelizmente cheio de Estados que patrocinam aberta ou encapotadamente o terrorismo e a guerra; Estados que sufocam minorias ou Estados cujas minorias submetem ao terror e à pobreza a maioria dos seus cidadãos; Estados com ligações subterrâneas ao crime e ao tráfico de droga ou de seres humanos; Estados que desafiam qualquer lógica de direitos humanos e de legalidade.
Apesar disso, Estados considerados democráticos não declaram sistematicamente guerra a esses países, a não ser em casos extremos. E se o fizessem estariam a colocar sucessivamente em risco de vida, milhões de pessoas, especialmente as mais inocentes.
De resto, muitos aliados de Donald Trump são países que não respeitam nem tencionam respeitar direitos considerados fundamentais.
Não há, por isso, neste momento, nenhuma racionalidade positiva e defensável na guerra que os Estados Unidos decidiram desencadear contra o Irão. Nenhuma evidência foi comunicada quanto ao acelerar do programa nuclear iraniano. Nenhuma demonstração foi feita quanto a uma qualquer inflexão político-militar iraniana que tornasse esta intervenção justificada e minimamente justa.
Não é de excluir também que os iranianos, nas suas diferenças culturais e religiosas, acabem por adiar os sonhos de acabar com o regime, pretendendo antes acabar com a guerra. E assim, desse modo, é possível que o regime tirânico e feroz de Teerão venha a encontrar na reconstrução do país que o inimigo externo destruiu, o mínimo de cimento que lhe permita agregar opositores internos e manter-se no........
