Soluções a pontapé
As pessoas estão crescentemente descontentes com o regime. As eleições não propõem nada de novo e mantém-se no poder os representantes da elite habitual. Assim, uma grande percentagem abstém-se ou vota em branco, enquanto uma minoria prefere revoltar-se, votando nulo ou em partido radicais.
Este quadro é evidente em Portugal, mas não só. Um pouco por todo o Ocidente se sente o mesmo desgosto e, em certos casos, o processo de rejeição já se consumou. Nos EUA, Hungria, Itália os radicais estão no poder, na França pouco falta, enquanto Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, Alemanha se aproximam. O lema é “temos de mudar, e isto só vai lá ao pontapé”.
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Nestas circunstâncias é bom não esquecer dois princípios essenciais. Primeiro, mudar é fácil; difícil é melhorar. Segundo, as coisas raramente melhoram a pontapé; os problemas só se resolvem com trabalho lento, persistente e cuidadoso. Os irresponsáveis que protestam, acusam e ofendem são bons a destruir, mas raramente têm a competência e a paciência para compreender a situação, quanto mais governá-la.
A História ensina-nos que um clima de surda revolta não é, em geral, prenúncio de desenvolvimento, mas limiar de catástrofe.........
