A direita antiliberal nos EUA
A revista Études, dos jesuítas franceses, publicou no seu último número um artigo sobre a direita americana antiliberal. Não é a primeira vez que a Études se ocupa da rejeição do liberalismo por parte de intelectuais católicos norte-americanos.
Na Europa o iliberalismo é representado sobretudo por V. Orbán, que classifica de iliberal o regime do seu país, a Hungria. Mas é nos EUA que tem florescido um catolicismo antiliberal; é o caso, por exemplo, do vice-presidente J. D. Vance e de vários apoiantes de Trump.
Esta corrente detesta o liberalismo e simpatiza com a ditadura de Salazar, em Portugal, e a de Franco, em Espanha. E advoga uma subordinação do poder político ao poder religioso - isto é, da Igreja católica - a quem caberia a definição do que é o bem comum. Assim se lembram pensadores reacionários, como Joseph de Maistre e se combate a herança de Tocqueville e da sua célebre “A democracia na América”.
É deprimente que as limitações e os erros do liberalismo conduzam a desejar um regresso da teocracia que se viveu na Europa há séculos atrás. Uma teocracia agora defendida por intelectuais católicos, que surgem a atacar as liberdades proporcionadas pela democracia liberal.
A Igreja foi durante longos anos acusada de se opor à democratização das estruturas políticas. Agora há vozes católicas que, em vez de contribuírem para o aperfeiçoamento das democracias, optam por regressar ao passado não democrático. Não é essa, felizmente, a posição do Papa Leão XIV.
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