Alerta: continue em festa, não leia este texto
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Uma das grandes vantagens de nossa época é possuir a capacidade de ser e se manter alienado. Pode-se justificar isso com qualquer coisa. Confesso invejar essas pessoas. Elas são felizes. Mesmo que surjam lampejos de consciência, elas são felizes. Contudo, não se deve confundir e simplificar, entre a alienação e a ignorância a distância é enorme. Por isso, ainda que a alienação seja entrecortada por momentos específicos de lucidez, sustenta, nos intervalos, argumentos críticos e posicionamentos importantes. Só que, para este instante, é Copa do Mundo, é futebol, é time, é Seleção, é torcida, é jogada e drible, é xingar o juiz, é “nóis”. Vamos lá, porrx!
A cada quatro anos, a insanidade toma o espaço da consciência e a alienação seletiva vence a racionalidade. O mundo, de repente, resolveu-se. Tudo vai bem, desde que ganhe aquele para quem se torce. Tudo é para depois, desde que venha o próximo jogo e a taça esteja cada vez mais próxima. Tudo é menos urgente, desde que os adversários sejam derrotados e expulsos do torneio, preferencialmente com alguma humilhação.
No ápice de cada quadriênio, ou seja, durante o torneio, nada importa. Nem a fome, nem as guerras, nem as mortes, nem os feminicídios, nem os radicalismos, nem os extremismos, nem a política, nem a economia, nem a cultura, nem a vida. Um copo, dois, dez, e cerveja, muita; bebedeiras, pois agora é festa, agora é história, agora é camisa, agora somos um só. Vamos lá, caralhx!
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O fanatismo, sabemos, é uma estupidez que se espalha, contagia, seja sobre um acontecimento, uma crença, uma ideologia, uma pessoa, uma paixão, um esporte. Por isso, não deve ser compreendido como algo distante, de outrem, daquela gente lá. O fanático está sentado à mesa e em convívio diário, íntimo; abraça-nos sem que saibamos de sua condição, quer-nos ao seu lado para nos cooptar ao clube.
Neste instante, o fanático em questão pode estar enrolado em uma bandeira, aos gritos, beijando um pedaço de pano com um símbolo, bandeira ou roupa, com algum chapéu sem sentido, uma corneta insuportável, em surto na frente de um........
