A história do Punch não é sobre o peluche, mas sobre a prisão de animais
A história do pequeno macaco-japonês Punch agarrado a um peluche correu o mundo em poucos dias. Não foi apenas uma fotografia. Foram vídeos, repetidos até à exaustão, mostrando um animal jovem num espaço de cimento, um quotidiano inteiramente artificial e inóspito, com a presença pontual de um funcionário que entra, despeja comida no chão e sai. A reacção foi imediata: comoção, partilhas, comentários, uma ternura quase colectiva perante aquele gesto de consolo improvisado de um animal rejeitado que encontrou abrigo num orangotango de peluche.
Para além da tristeza, há algo nesses vídeos que se destaca: a rotina. A ausência total de relação. Não se trata de um momento particularmente violento, nem de um acto excepcional. É precisamente o contrário. É a normalidade. A engrenagem a funcionar como foi concebida para funcionar. Entre tantos outros espaços de exploração animal, os parques zoológicos continuam a apresentar-se como instituições respeitáveis, educativas, quase inevitáveis. O cenário muda, o discurso adapta-se, mas a estrutura........
