A escola que ainda não decidiu o que quer ser
Há um desconforto antigo na educação portuguesa: sabemos que mudou muito, mas não sabemos bem para onde vai. Os relatórios internacionais registam progressos claros; a experiência quotidiana nas escolas revela fadiga, incerteza, cansaço. Talvez esta seja a pergunta a que o país ainda não respondeu: o que queremos, afinal, que a escola faça?
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Os dados ajudam a situar a tensão. Portugal é hoje um caso de sucesso relativo na redução do abandono escolar precoce: entre 2015 e 2025, foi um dos países da União Europeia com a maior diminuição no número de jovens que deixam cedo a educação e a formação, com uma descida de 7,4 pontos percentuais. Em paralelo, a proporção de jovens entre os 25 e os 34 anos com ensino superior subiu de cerca de 38% em 2019 para 43% em 2024, aproximando-se da média da OCDE, embora sem a atingir. Portugal avançou, mas não convergiu plenamente.
O reverso desta trajetória é menos visível, mas igualmente relevante. Cerca de 38% da população adulta portuguesa continua sem o ensino secundário completo, praticamente o dobro da média da OCDE, e as desigualdades de acesso e de sucesso no ensino superior permanecem fortemente associadas à origem socioeconómica. A idade média dos professores está hoje em torno de 51 anos, seis anos acima da média da OCDE, o que torna inevitáveis os temas da renovação geracional e da atratividade da profissão. É um sistema que envelhece sem ter resolvido problemas antigos de equidade e de qualidade.
O debate público tende a polarizar-se entre dois extremos pouco úteis: os que lamentam a escola de hoje como decadência e os que........
