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O fim justifica os meios? Violação contra violação na Venezuela

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03.01.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.

Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela recoloca no centro do debate uma das questões mais sensíveis do direito internacional contemporâneo: quando um regime autoritário colapsa sob acusações de fraude eleitoral, repressão sistemática, corrupção transnacional e envolvimento com redes de narcotráfico, quais são os limites legítimos da ação externa? Trata-se menos de um dilema moral abstrato e mais de uma disputa concreta entre legalidade, geopolítica e interesses estratégicos.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, inicialmente, durante a Cúpula do Mercosul, em dezembro, que uma intervenção militar na Venezuela representaria uma catástrofe humanitária para o Hemisfério Sul. Após a intervenção militar, ele reforçou sua posição no Twitter, condenando o uso da força e defendendo o diálogo e a cooperação internacional, sem, contudo, criticar ou legitimar o regime de Nicolás Maduro, que nem sequer citou nominalmente.

Essa postura reflete tanto a tradição diplomática brasileira de defesa da soberania e da não intervenção quanto um cuidado diante do contexto eleitoral de 2026. A comunicação do presidente buscou assim, desconstruir narrativas que pudessem associá-lo como defensor do presidente autoritário da Venezuela, tentando evitar impactos políticos internos nas urnas. No plano prático, os ministérios da Defesa e da Justiça já acompanha o aumento do fluxo migratório em Roraima, indicando que qualquer escalada no conflito teria efeitos imediatos sobre o Brasil.

Não há controvérsia relevante quanto à natureza do regime venezuelano. Nicolás Maduro governa de forma autoritária,........

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