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Alden Biesen e o retiro espiritual europeu

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12.02.2026

A União Europeia dirige-se a Alden Biesen. Entre as muralhas, o castelo belga devia funcionar como um laboratório de decisões estratégicas, e não como um palco de devaneios simbólicos. Confiar que 27 líderes encontrarão iluminação nas névoas históricas é arriscar não apenas a crítica, mas a irrelevância. Alden Biesen não é um retiro espiritual: é uma oportunidade de converter intenção em ação, discursos em resultados palpáveis.

O mapa geopolítico mudou de forma irreversível. Não se trata de invocar Mark Carney ou idolatrar Mario Draghi ou Enrico Letta. O sistema de regras que outrora ordenava o mundo depende agora de potências externas que avançam com determinação, enquanto a Europa pondera. As crises geopolíticas e geoeconómicas – como Emmanuel Macron advertiu – não esperam por uma eventual iluminação: sem reformas rápidas, o continente arrisca perder relevância tecnológica face aos EUA, competitividade industrial perante a China e autoridade perante a Rússia. Há consenso quanto à urgência, mas uma divisão profunda sobre os meios.

Os encontros prévios à reunião informal dos líderes europeus revelam a magnitude das decisões em jogo. O chamado “momento Gronelândia” ameaça dissipar-se, lembrando-nos que a política internacional não se dobra à boa fé: uma administração........

© PÚBLICO