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A luz ao fim do túnel passa por Ormuz

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thursday

Há guerras que começam no campo de batalha. Outras recomeçam quando deixa de existir uma linguagem comum para negociar o seu fim. O confronto entre os Estados Unidos e o Irão aproxima-se desta segunda categoria. A força continua disponível. O que desaparece, pouco a pouco, é a confiança de que qualquer compromisso sobreviva à assinatura de um memorando.

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O paradoxo é Donald Trump. Poucos presidentes americanos mostraram tanta disponibilidade para romper ortodoxias diplomáticas e falar com adversários considerados “malignos”. Essa liberdade política torna-o, em teoria, um interlocutor mais capaz de fechar um entendimento com Teerão do que muitos dos seus antecessores. Mas a mesma imprevisibilidade que abre portas também impede que permaneçam abertas durante muito tempo. Um acordo exige continuidade, disciplina institucional e previsibilidade. A política externa da Administração Trump vive precisamente da recusa dessas condições.

Do lado iraniano, a lógica é quase inversa. Em Teerão consolidou-se a convicção de que qualquer gesto de contenção apenas convida a novas exigências americanas. A escalada deixou de ser vista como um risco e passou a ser encarada como um investimento negocial. É nesse contexto que o estreito de Ormuz assume um significado que ultrapassa largamente o petróleo. Não representa apenas uma vulnerabilidade da economia mundial. É o principal ativo estratégico do Irão, precisamente porque explora a vulnerabilidade dos países do Golfo e do seu protetor. Enquanto conservar meios para condicionar a circulação naquele corredor marítimo, Teerão preserva uma moeda de troca. Se perder essa alavanca, perde também grande parte do poder para obrigar Washington a cumprir um........

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