A guerra, esse videojogo
Desde, pelo menos, a Guerra do Golfo (1991) que tínhamos percebido que a cobertura das guerras americanas as tinha transformado num puro espetáculo mediático, “uma encenação tecnológica”, um “simulacro” que, aos olhos dos seus espetadores (nós próprios), procura substituir-se à realidade. Víamos a escuridão riscada pela trajetória brilhante de mísseis que explodiam em Bagdade, mas, ao contrário da cobertura da guerra do Vietname, 20 anos antes, já não nos mostravam os mortos e os feridos que resultavam daquela espécie de videojogo. Os bombardeamentos da NATO em Belgrado (1999) ou dos EUA no Iraque (2003), nos quais os civis mortos sob as bombas eram descritos como “vítimas colaterais”, vieram acentuar o processo de insensibilização face à violência e à morte. A guerra foi transformada numa encenação que, como escreve Adlene Mohammedi, “segue os códigos da cultura pop e dos videojogos”.
