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A substituição da verdade pela narrativa

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20.03.2026

Em Fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o Kremlin proibiu por decreto a palavra “guerra”. Quem a usasse arriscava 15 anos de prisão. O conflito devia ser chamado “operação militar especial” – e essa diferença não era apenas semântica. Ela definia o que era possível dizer, protestar, pensar em voz alta. A linguagem não descrevia a realidade: moldava o espaço do que era permitido ver.

Não é um caso isolado. É o padrão dominante da política contemporânea: a velocidade com que as narrativas se propagam, e a escala a que a desinformação pode ser produzida, incluindo por Inteligência Artificial, tornaram esta batalha mais decisiva do que alguma vez foi. Quando uma narrativa falsa circula em segundos por mil canais, a verdade já chegou tarde.

Chama-se “defesa legítima” ao que resultou, em Gaza, em mais de 40 mil civis mortos e na destruição de hospitais e infra-estruturas básicas, segundo dados da ONU. Não está em causa o direito de Israel à autodefesa: está em causa o uso da linguagem jurídica para fechar o debate antes de ele começar.

Ou seja, invocar um........

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