Crise de imigração ou guerra híbrida?
A recente invasão de migrantes no enclave espanhol de Ceuta é um fenómeno apocalíptico mediatizado, perfeito para alimentar os discursos da extrema-direita que denunciam o perigo de uma invasão da Europa por imigrantes. Tenho, no entanto, poucas dúvidas de que, em Ceuta, não estamos perante uma "crise migratória", mas sim perante uma operação híbrido-militar organizada por, ou com o consentimento de, Israel e Marrocos.
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Primeiro, por questões organizativas. Trazer 60.000 pessoas, coordenadas num mesmo dia, para uma tentativa de invasão é uma operação logística que não se faz espontaneamente. São precisos transportes, incentivo de voluntários, articulação temporal e ordens centralizadas. Não se trata simplesmente, como alegou o governo espanhol, de os guardas marroquinos estarem "pouco empenhados em reter os imigrantes". Trata-se de uma questão simples de matemática: são precisos cerca de 1200 autocarros de grande dimensão para........
