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A endogamia e a academia

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06.05.2026

No início da minha carreira contratavam-se para possíveis posições permanentes de professores universitários recém-licenciados (como assistentes estagiários). Caso tudo corresse bem, seriam contratados automaticamente como professores auxiliares após o doutoramento. Se é difícil fazer prognósticos sobre a carreira de um jovem doutorado, torna-se impossível fazê-lo com um licenciado (ou mesmo com um mestre, no sistema pós-Bolonha). Não só era um mecanismo propenso a gigantescos erros de casting, como resultava numa profunda endogamia.

É que os recém-licenciados pouco mais tinham do que o currículo escolar, e os candidatos internos ao menos eram conhecidos dos avaliadores, ao contrário dos que vinham de outras universidades. Isso mesmo me foi explicado, de forma muito simpática, por entrevistadores de outras instituições às quais concorri, e que me aconselharam a ficar na minha. Candidatei-me a esses lugares porque queria mudar de ambiente. Mas, em última análise, precisava mais de um emprego.

Com a contratação de doutorados para posições de quadro (agora a norma) é muito melhor. Todos os potenciais candidatos têm um currículo de alguns anos de trabalho efetivo, que é público e verificável. Significa isto que todos os problemas estão resolvidos? Seria ingénuo acreditar nisso. Não só porque, graças ao grande salto na ciência nacional, há muito mais candidatos, mas porque a familiaridade continua a contar, no sentido em que se conhecem melhor os candidatos internos.

Por isso, a........

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