A habitação: a tragédia nacional
Se legislar à toa resolvesse o problema da habitação, Portugal já teria casa para todos há muito tempo. A direita passou anos a apregoar que a resolução da crise passaria por deixar o mercado funcionar; a esquerda manteve o foco na regulação do mercado de arrendamento e no aumento do parque habitacional, uma solução de longo prazo. O resultado está à vista e os preços não só estão mais elevados, como sobem mais rápido que nunca. Enquanto isso, é impossível para muitos jovens aspirarem a ter uma casa, a não ser que a partilhem com outros ou contem com ajuda financeira. A razão? O diagnóstico está errado e as soluções teimam, de uma forma ou de outra, em ignorar uma contradição central do mercado imobiliário.
Comecemos por factos. Primeiro, ter um lar seguro e confortável é um direito constitucional. E ainda bem. No entanto, segundo facto, ter casa(s) é, simultaneamente, um ativo financeiro. Ou seja, quem compra uma casa — e ainda mais quem compra três — fá-lo com o intuito de não perder........
