O mundo debate os crimes da escravatura. Portugal assobia para o lado
Nesta semana foi tomada uma decisão histórica: a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que reconhece a escravização de africanos na era do tráfico transatlântico como “o mais grave crime contra a humanidade”. A resolução, proposta pelo Gana, dita que os Estados responsáveis por este crime devem proceder a reparações históricas — como desculpas formais, devolução de artefactos, restituição de arquivos, compensações financeiras. Uma clara maioria de 123 países votou a favor; 52 países abstiveram-se; apenas três votaram contra: os EUA, Israel e a Argentina.
Portugal, ao lado de toda a União Europeia, escolheu a abstenção. Todos os países africanos que foram colonizados por Portugal no passado — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe — não só votaram a favor, como fizeram parte da elaboração desta resolução. Outros países ligados ao passado imperial português, como o Brasil e Timor-Leste, também votaram a favor. Se olharmos para as diferentes votações entre França ou o Reino Unido com as suas antigas colónias, verificamos a mesma dinâmica. De um lado, uma abstenção tímida e minoritária dos antigos impérios; do outro lado, uma maioria mundial a favor de justiça reparatória pelos crimes do passado colonial.
O debate sobre reparações históricas tem sido dinamizado a nível internacional pelos países do Caribe e de África ao longo dos últimos anos. A aprovação desta resolução com uma larga maioria de votos demonstra que organizações como a Caricom (Comunidade do Caribe) e a União Africana estão a ser bem-sucedidas nos seus esforços de coordenação das suas posições, apresentação de uma posição unitária e angariação de apoio de uma maioria global para debater o passado colonial do Ocidente, que devastou os seus territórios e antepassados. Perante........
