RAP 2026: entre a plausibilidade macroeconómica e o risco orçamental
O Governo entregou à Comissão Europeia o Relatório Anual de Progresso de 2026, no âmbito do Plano Estrutural-Orçamental Nacional de Médio Prazo para 2025-2028, atualizando o enquadramento macroeconómico e orçamental à luz das novas regras europeias centradas na despesa líquida.
O executivo prevê para 2026 um crescimento do PIB em torno de 2%, sustentado no investimento público, na recuperação do consumo privado e num contexto externo relativamente favorável. O cenário poderá ser considerado plausível, mas o Conselho das Finanças Públicas (CFP) identifica fragilidades importantes.
Desde logo, o crescimento previsto depende significativamente da execução de fundos europeus, historicamente marcada por atrasos e dificuldades de concretização. O CFP questiona igualmente a robustez da recuperação do consumo privado, que não parece totalmente suportada por aumentos permanentes do rendimento disponível. Acrescem ainda tensões entre inflação, salários e produtividade que fragilizam a........
