Na diáspora contra Ventura, pela liberdade
Nesta terra cá fora, lá fora, onde o Inverno persiste nas ruas e nas casas, e o dever começa sempre mais cedo, e cada vez mais cedo, sou o português, sou o sotaque, o nome estranho, João, três vogais de carrinho impossíveis de pronunciar e cuja presença é apenas tolerada enquanto for útil.
Por esta razão, e porque o futuro é cada vez mais incerto, teimo em votar.
No pub da esquina ninguém fala das eleições portuguesas: Portugal é apenas um destino de férias e por demais distante. Falam dos supermercados e dos bens alimentares cada vez mais caros, falam de empregos perdidos numa economia teimosamente trôpega apesar do novo governo, falam dos colegas ainda por voltar após meter baixa.
E, mesmo assim, entre duas palavras nem por isso minhas, chega-me Portugal pelo telemóvel em mensagens, em notícias, em vozes a discutir à distância num país feito fotografia antiga e esbatida, perdida algures entre o bolso e a carteira.
As parangonas ecoam um nome: Ventura. Ventura e a pressa de culpar mais a necessidade de apontar um dedo para existir, igual a tantos outros Venturas noutras terras, Inglaterra incluída, cujas línguas, apesar de diferentes, são iguais: sempre........
