O Coração Ainda Bate. A caixa de lenços
Passaram dois meses desde que visitei, pela última vez, a sala da minha psicóloga. Normalmente, entro em silêncio; os olhos nunca se desviam muito do chão, porque já vou a fazer contas ao sumo dos dias. O cadeirão de pernas bojudas está ali, como sempre. Há uma caixa de lenços de papel que já usei. Quantas vezes essa caixa precisa de ser renovada? Ainda haverá quem leve o lenço de pano com as iniciais bordadas? Os lenços de pano deviam ser guardados com as lágrimas que a dor de um amor contém. Mas começo a desviar-me do consultório. Ficaria uma tarde inteira a fazer perguntas sobre os pequenos rituais que aqui ocorrem.
Entro e digo apenas: “olá, eu espero aqui”. Depois, cruzo as pernas, pouso a mala e faço contas ao incómodo; seja pela dor, seja pela falta de respostas que ainda não encontrei. Ela chega, entretanto. Talvez nunca ninguém lhe pergunte se está bem, se lhe dói alguma coisa, se ela própria já usou a........
