A montanha mágica
Houve um tempo em que me olhavas com os olhos de cristal e eu era uma montanha. Por ela espalhavam-se pinheiros e carvalhos em cuja sombra dormias, em cujos troncos construías baloiços. Passeavas por mim e ias colhendo framboesas, cerejas, uvas. Era o tempo em que vias ainda os rios de escarlate subindo-me, descendo-me, os pequenos peixes verdes que te molhavam os olhos.
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Corrias e saltavas. Convidavas amigos para o lago. Numa tarde fria e calma, estendeste-me uma toalha no coração, eu abri um vinho barato e entretemo-nos entre croissants, formigas e doce de alperce. Lá em baixo o mar ardia.
Um dia fomos às grutas. Entrámos na mais luminosa. Das paredes escorrem gotas que contam o tempo, já que a nós não foi dado esse condão.
A gruta está silenciosa — o único barulho é o do estalar das tuas pernas, que vagueiam por este chão bolorento.
Entras e........
