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Milagre

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02.08.2026

O dia amanheceu nítido, o horizonte parece próximo, as cores fulgurantes. Reparo que estou sentada a olhar em frente há muito tempo nesta manhã de um dia quente, o último de uma onda de calor. Sei que estou sentada, e sei-o com a mesma nitidez do olhar, mas agora sobre o meu próprio corpo: os ossos contra a rocha, as mãos pousadas no colo, os pés muito concretos a tocar o chão. Não penso em nada, sou só um corpo magoado que ocupa aquele espaço e olha a paisagem, de repente turva. De regresso a casa, as coisas estão onde as deixei. A chávena, a pedra, o caderno: toco-lhes e respondem, resistem-me, devolvem-me a mão. É assim que sei que existem: porque lhes toco, porque me fazem frente. Aprendi, sem querer aprender, a medir o mundo por uma regra cega: é real o que se consegue tocar; a ausência é tudo o resto. O meu amigo........

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