O estranho processo de exportação da palavra resiliência para a alma humana
“A resiliência é uma palavra bizarra” — é precisamente uma das frases mais emblemáticas e provocadoras do livro Nos viés sur la brèche, da autoria do filósofo Jean-Philippe Pierron. E esta bizarria aconteceu, na sua opinião, a partir do momento em que este vocábulo foi exportado da área da engenharia para o domínio da psicologia.
Segundo constata este filósofo, antes de se tornar um termo da psicologia, designando a capacidade de ultrapassar choques traumáticos, esta palavra pertencia ao vocabulário da engenharia, correspondendo à capacidade de um metal resistir ao choque provocado pelas tensões.
A posição defendida por Jean-Philippe Pierron é que, enquanto esta palavra pertenceu ao universo da física e da mecânica, tudo estava no devido lugar. A interpelação surge desde a altura em que, através de um estranho processo de exportação, a palavra resiliência passou a designar aquilo que resiste, nas nossas vidas, aos choques e à deformação.
Esta estranha exportação leva Pierron a questionar o sucesso da generalização da palavra resiliência à alma humana, apresentada como uma metáfora positiva para a superação do infortúnio que, mais tarde........
