Infraestruturas diante de eventos extremos: estamos preparados?
O recente comboio de tempestades que atingiu Portugal, com impactos em diques, coberturas, vias de comunicação, postes de muito alta tensão e outras infraestruturas, trouxe de novo ao centro do debate uma questão essencial: estará o nosso sistema infraestrutural preparado para resistir a eventos extremos? A pergunta é atual, mas o problema não surgiu agora. Há três variáveis determinantes que podem aumentar a incerteza da resposta: tempo, ações e construção.
A variável tempo incorpora o envelhecimento, a coabitação e o conflito geracional entre várias infraestruturas construídas em épocas distintas.
Desde o Tratado de Zamora, em 1143, Portugal tem quase 900 anos de história. Mas foi apenas em 1852, com a criação do primeiro Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, liderado por António Fontes Pereira de Melo, que o país iniciou um verdadeiro processo de modernização por meio da infraestruturação. Esse momento marca o arranque de grandes obras públicas e, sobretudo, a afirmação de uma visão política segundo a qual as infraestruturas são instrumentos centrais de desenvolvimento económico e social.
O período do Fontismo (1852-1890) iniciou essa ambição com a definição e o início do desenvolvimento de uma rede ferroviária que contribuiu para a unificação do território. O Estado Novo (principalmente entre 1940 e 1960) trouxe um período marcado pela visão de Duarte Pacheco, no desenvolvimento da rede rodoviária nacional, e na consolidação da rede elétrica nacional à custa das barragens e da hidroenergia. A entrada na Comunidade Económica e Europeia (hoje União Europeia) deu lugar ao período de maior expansão infraestrutural da história de Portugal (1985-2010), financiado pelo quadro de apoio comunitário. Nunca se tinha construído tanto, como estradas,........
