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Só um

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24.02.2026

Houve um dia, e eu não sei porque é que nunca mais me tinha lembrado disto, como é que uma coisa assim se dissolve na cabeça, em que o meu pai entrou em casa com um balde cheio de caranguejos vivos, o balde a pingar água salgada no mosaico da entrada, e trazia no rosto uma alegria aberta, quase infantil, que só lha vi outra vez no dia em que nasceu o meu irmão, e levantou a tampa de plástico com um gesto teatral, como se revelasse um segredo antigo, e disse que aquilo não era para comer, não senhora, era para mantermos os caranguejos soltos pela casa, pela sala, pelos corredores, como animais domésticos, e acrescentou que se pudesse escolher, de todos os animais perfeitos e imperfeitos da Terra, seria ele próprio um caranguejo.

A minha mãe arreganhou a tacha, e até hoje não sei se estava mais perto de rosnar ou de sorrir, convencida de que se tratava de mais uma parvoíce, uma entre tantas, dessas que ao meu pai davam mais........

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