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Os irredutíveis do Bairro Alto resistem (ainda)

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23.05.2026

No último mês, partiram-me o vidro do carro duas vezes. Não foi no Bairro Alto, mas praticamente. Há muito que não acontecia uma coisa do género e disseram-me na esquadra que tem acontecido mais do que devia. Talvez não ajude o momento que a esquadra atravessa, mas é estranho este sentimento de desconfiança num bairro onde sempre me senti em casa.

Não serve isto para dizer que o Bairro Alto se tornou inseguro. Não o sinto assim. Fora estes episódios com o carro, o que tenho para contar são sobretudo histórias de partilha e de um sentido de comunidade cada vez mais raro numa cidade. No meu prédio, sei o nome de todos os meus vizinhos. Na minha rua, sei o de muitos e mais ainda sabem o da minha filha. Têm-na visto crescer. Da minha barriga ao carrinho, aos passos atabalhoados, da bicicleta com rodinhas e depois sem elas.

Às vezes,........

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