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Quando o luxo veste o artesanato

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A poucos dias da FIA (Feira Internacional de Artesanato) Lisboa, vale a pena voltar a perguntar o que significa, hoje, falar de e pensar o artesanato. Num momento em que se tornou quase um lugar-comum ver marcas de luxo a recorrerem ao “feito à mão” como linguagem de autenticidade, prestígio e diferenciação - quiçá para se afastarem do flagelo da fast fashion -, o artesanato corre o risco de ser celebrado mais como estética do que como prática viva. A pergunta que importa colocar é simples: estamos perante uma valorização real dos ofícios ou perante uma nova forma de craftwashing?

Analisemos alguns exemplos recentes no universo das marcas de luxo. A Prada aproximou-se da cerâmica como território cultural e trouxe o utilitário japonês para a galeria de arte; a Dior exibe imagens de carteiras de rattan feitas à mão em edições limitadas, perpetuando o........

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