A Hungria decide: resiliência ou a reversão da autocracia de Orbán
O atual ciclo eleitoral na Hungria transcende a mera análise da rotatividade governativa, constituindo, antes, um estudo de caso crítico sobre a viabilidade da reversão eleitoral em cenários de retrocesso democrático. A possibilidade de uma derrota de Viktor Orbán e do partido Fidesz coloca a Europa perante um teste empírico à resiliência das suas instituições e à capacidade da oposição em desmantelar o que a literatura de ciência política classifica crescentemente como um autoritarismo competitivo no seio da União Europeia.
Durante mais de uma década, Orbán não se limitou a governar, pois promoveu uma reengenharia constitucional profunda. O modelo que o próprio designa de "democracia iliberal" operou através de uma gradual captura do Estado. A alteração da lei eleitoral em prol da desproporcionalidade, aliada à subordinação do sistema judicial, à asfixia financeira dos media independentes e à transferência de bens do Estado (como universidades e imóveis) para fundações privadas geridas por acólitos do regime, desequilibraram o campo de jogo político.........
