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A saúde não se compra, cultiva-se

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22.03.2026

Nunca tivemos tanto acesso a informação, ferramentas, produtos e serviços para “cuidar de nós”. Vivemos numa era obcecada com o bem-estar e, paradoxalmente, nunca nos sentimos tão mal. A pergunta impõe-se: porque é que o mal-estar persiste, apesar do crescimento exponencial da indústria wellness e dos biliões que movimenta a nível global?

Porque a indústria capitaliza uma necessidade real, agarrou-se àquilo que todos mais desejamos – sentirmo-nos bem. O problema não está nessa intenção, mas na forma como ela é explorada. Muitas vezes, o foco deixa de ser a saúde e passa a ser a venda da promessa de saúde.

Acabamos por viver a correr atrás de metas irrealistas e soluções milagrosas: a nova app, o novo suplemento, o novo sumo detox, o novo wearable, ou a mais recente dieta e rotina da moda. Promessas apelativas, rápidas, mas frequentemente desprovidas de evidência científica sólida, raramente adequadas para todos e, quase sempre, dispendiosas. No fundo, soluções universais e simplistas para problemas profundamente complexos.

Criou-se um círculo vicioso onde o nosso bem-estar se tornou algo transacionável. Contudo, quanto mais o tentamos comprar, mais inadequados e insuficientes nos sentimos. As redes sociais amplificam este fenómeno, trazendo desinformação e criando imagens distorcidas do que é saúde e bem-estar. Corpos, dietas,........

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