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A língua afro-luso-brasileira-e-arredores

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05.06.2026

Em português existe o termo despautério, vindo de despauterius, forma latinizada do antropónimo flamengo Van Pauteren, um gramático cuja obra (Comentarii gramatici) seria, segundo o Houaiss, “confusa e rica de dislates”. Escrevo com a noção de que é necessário fazê-lo, antes que o despautério – no caso, o semi-neologismo “Língua Geral” –, sugestivo e provocatório, mas pouco convincente, ganhe velocidade e proselitismo. Até porque a ideia, nascida do espírito picaresco de José Eduardo Agualusa, parece desprovida de argumentação pertinente.

Em princípio, o que o escritor angolano (e aqui seria necessário dar feição conceptual ao que é um escritor angolano ou português; vejam-se os casos tão distintos de Agualusa, Pepetela ou Luandino, pela origem, pelo lugar da fala, pela produção estética e ideológica, pela intencionalidade) parece querer fomentar é o debate estéril sobre nada, ganhando mais em frases de impacto (soundbites) e controvérsia do que em efeitos práticos. Eis porque me sinto metido na ratoeira.

Era o que faltava ter algo contra Agualusa, a quem só posso reconhecer o mérito de um conjunto de obras literárias de imenso valor. Há na sua fórmula, é óbvio, uma intenção ideológica, e demagógica, de rejeição da carga histórica de que está investida a designação Português, pois, para onde quer que a língua fuja (Brasil,........

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