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Os dilemas da sociedade aberta e da política demoliberal

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13.04.2026

Este é, claramente, o tempo de uma Grande Transformação (Polanyi, 1944), de uma mudança paradigmática na ordem do mundo ocidental. Senão, vejamos. Em primeiro lugar, o regime climático com a chegada do Antropoceno e os seus riscos e desastres globais obriga-nos a lançar uma nova geração de políticas públicas de mitigação, adaptação e transformação. Em segundo lugar, a descarbonização e a revolução energética e industrial obrigam-nos a rever as políticas ambientais e a sua sustentabilidade. Em terceiro lugar, a transformação tecnológica, a revolução das máquinas inteligentes e da inteligência artificial, obrigam-nos a reconsiderar os mercados de trabalho e o perfil necessário às novas profissões. Em quarto lugar, o estado das economias maduras do ocidente, de baixo crescimento atualmente, obriga-nos a reconsiderar os equilíbrios sociodemográficos, a revisão dos sistemas de ensino e formação e a integração regulada dos fluxos migratórios. Em quinto lugar, a convergência de três variáveis críticas, a saber, o risco, a segurança e o poder, obriga-nos a rever a estrutura de impactos e os custos adicionais da nova economia política na determinação das principais variáveis socioeconómicas. Em sexto lugar, é fundamental reinventar a arquitetura da sociedade aberta, a cidadania e as cidades do futuro com um novo contrato de reciprocidade entre cidadãos por via de uma nova rede de mercados, instituições e plataformas. Por último, e em síntese, é essencial propor um novo compromisso histórico entre a política democrática e a economia social de mercado. Dito isto, não restam dúvidas. No mundo ocidental, vivemos uma crise profunda das instituições democráticas e do capitalismo democrático. Nos países europeus, e Portugal é um bom exemplo, são muitos os dilemas da democracia política liberal e representativa,........

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