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Quando a História toma um copo na esplanada e as mulheres decidem voar

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monday

A tarde está quente e pede uma cervejinha. Pode até ser uma cerveja sem álcool desde que seja fresca. Platão chega primeiro, adiantado no tempo, escolhe a mesa do fundo, na sombra, enquanto espera pelos amigos prestes a chegar, os “bros”, os “maninhos” — não é que sejam irmãos, e também não é que goste propriamente de lhes chamar “maninhos”, mas parece que hoje em dia é assim que os jovens se tratam, e um homem de 2454 anos às vezes sente-se um bocado velho.

Senta-se confortavelmente na cadeira da esplanada, está-se bem, mas o que lhe apetecia mesmo era uma caverna climatizada, esta coisa dos verões cada vez mais quentes do mundo sensível não combinam com a barba longa, mas já falta pouco para os outros chegarem, uns aninhos e estão aí a rebentar: tendo em conta o longo tempo de Vida da Terra, a Humanidade passa-se num instantinho. De qualquer forma, Sócrates deve estar mesmo a aparecer. Folheia uma revista daquelas cor de rosa, “Problemas em encontrar a sua cara-metade?” — sorri orgulhoso, nunca imaginaria que a sua ideia resistisse a estes séculos todos. Pensa: "Realmente um tipo quando está inspirado…"

Ah lá vêm eles! Sócrates, e uns anitos depois Gutenberg aproxima-se com Da Vinci — mais dois barbudos —, e logo de seguida Copérnico — um fulano discreto, sempre de olhos postos no céu, com a cabeça nos astros, não gosta de ser o centro das atenções. Gutenberg puxa de uma cadeira, vem indisposto, ultimamente sente-se agoniado com a hipótese, mesmo que remota, de ter estado na origem das fake news. A ideia dá-lhe azia

— Pedimos umas canecas e isso resolve-se já! —, graceja Da Vinci enquanto acena na direção da Empregada, gosta mais de vinho de Milão, mas a cerveja vai ter de servir, e os restantes convivas já vão aparecendo… Shakespeare vem à conversa com o Padre António Vieira, os dois na amena cavaqueira:

— …Um homem pode pescar com o verme que se alimentou do corpo de um rei e, depois, comer o peixe que engoliu esse verme. Feitas as contas, um rei pode andar a passear na barriga de um mendigo.

— É verdade, meu amigo, os homens vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros, e os grandes comem os pequenos… Mas o que ia agora mesmo eram uns jaquinzinhos fritos! —,- comentam enquanto puxam de uma cadeira........

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