Para que serve a opinião de um deputado ou governante?
Por um lado, há um quê de preguiça. Por outro, um quê de poupança. E por outro ainda, um quê de activismo que se sobrepõe à análise. A porta giratória entre parlamento e comunicação social dá jeito a muita gente, mas nunca serve para robustecer a democracia.
A comunicação social quer o espaço preenchido. Os membros dos partidos querem preenchê-lo. Para qualquer eleitor, o efeito é nulo: os textos e o espaço de comentário televisivo deixam de servir para abrir horizontes ou introduzir complexidade. Além disso, a ocupação do espaço de escrutínio por quem deve ser escrutinado nada acrescenta à compreensão da contemporaneidade: crónicas, comentário, intervenções públicas e peças jornalísticas passam a dizer o mesmo. Uma voz apresenta-se como individual sendo colectiva, tratando uma fatia do debate político como intocável, sacrossanta. Com isto: páginas de jornais e minutos de antena são preenchidos sem que a) haja qualquer avaliação da qualidade de escrita ou da profundidade de pensamento, b) haja frequentemente um peso financeiro por parte do canal de comunicação, uma vez que o outro lado quer instrumentalizar o........
